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Portal do Ministério do Trabalho e Emprego

Edição de 29 de julho de 2013

 

 

NR 10 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE
Publicação D.O.U.
Portaria GM n.º 3.214, de 08 de junho de 1978 06/07/78
Alterações/Atualizações D.O.U.
Portaria SSMT n.º 12, de 06 de junho de 1983 14/06/83
Portaria GM n.º 598, de 07 de dezembro de 2004 08/09/04
(Texto dado pela Portaria GM n.º 598, de 07 de dezembro de 2004)

10.1 – OBJETIVO E CAMPO DE APLICAÇÃO
10.1.1 Esta Norma Regulamentadora – NR estabelece os requisitos e condições mínimas objetivando a implementação de medidas de controle e sistemas preventivos, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interajam em instalações elétricas e serviços com eletricidade.

10.1.2 Esta NR se aplica às fases de geração, transmissão, distribuição e consumo, incluindo as etapas de projeto, construção,  montagem, operação, manutenção das instalações elétricas e quaisquer trabalhos realizados nas suas proximidades, observando-se as normas técnicas oficiais estabelecidas pelos órgãos competentes e, na ausência ou omissão destas, as normas internacionais cabíveis.

10.2 – MEDIDAS DE CONTROLE
10.2.1 Em todas as intervenções em instalações elétricas devem ser adotadas medidas preventivas de controle do risco elétrico e de outros riscos adicionais, mediante técnicas de análise de risco, de forma a garantir a segurança e a saúde no trabalho.

10.2.2 As medidas de controle adotadas devem integrar-se às demais iniciativas da empresa, no âmbito da preservação da segurança, da saúde e do meio ambiente do trabalho.

10.2.3 As empresas estão obrigadas a manter esquemas unifilares atualizados das instalações elétricas dos seus estabelecimentos com as especificações do sistema de aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção.

10.2.4 Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75 kW devem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo, além do disposto no subitem 10.2.3, no mínimo:
a) conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de segurança e saúde, implantadas e relacionadas a esta NR e descrição das medidas de controle existentes;
b) documentação das inspeções e medições do sistema de proteção contra descargas atmosféricas e aterramentos elétricos;
c) especificação dos equipamentos de proteção coletiva e individual e o ferramental, aplicáveis conforme determina esta NR;
d) documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação, autorização dos trabalhadores e dos treinamentos realizados;
e) resultados dos testes de isolação elétrica realizados em equipamentos de proteção individual e coletiva;
f) certificações dos equipamentos e materiais elétricos em áreas classificadas;
g) relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cronogramas de adequações, contemplando as alíneas de “a” a “f”.

10.2.5 As empresas que operam em instalações ou equipamentos integrantes do sistema elétrico de potência devem constituir prontuário com o conteúdo do item 10.2.4 e acrescentar ao prontuário os documentos a seguir listados:
a) descrição dos procedimentos para emergências;
b) certificações dos equipamentos de proteção coletiva e individual;

10.2.5.1 As empresas que realizam trabalhos em proximidade do Sistema Elétrico de Potência devem constituir prontuário contemplando as alíneas “a”, “c”, “d” e “e”, do item 10.2.4 e alíneas “a” e “b” do item 10.2.5.

10.2.6 O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido atualizado pelo empregador ou pessoa formalmente designada pela empresa, devendo permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e serviços em eletricidade.

10.2.7 Os documentos técnicos previstos no Prontuário de Instalações Elétricas devem ser elaborados por profissional legalmente habilitado.

10.2.8 – MEDIDAS DE PROTEÇÃO COLETIVA
10.2.8.1 Em todos os serviços executados em instalações elétricas devem ser previstas e adotadas, prioritariamente, medidas de proteção coletiva aplicáveis, mediante procedimentos, às atividades a serem desenvolvidas, de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores.

10.2.8.2 As medidas de proteção coletiva compreendem, prioritariamente, a desenergização elétrica conforme estabelece esta NR e, na sua impossibilidade, o emprego de tensão de segurança.

10.2.8.2.1 Na impossibilidade de implementação do estabelecido no subitem 10.2.8.2., devem ser utilizadas outras medidas de proteção coletiva, tais como: isolação das partes vivas, obstáculos, barreiras, sinalização, sistema de seccionamento automático de alimentação, bloqueio do religamento automático.

10.2.8.3 O aterramento das instalações elétricas deve ser executado conforme regulamentação estabelecida pelos órgãos competentes e, na ausência desta, deve atender às Normas Internacionais vigentes.

10.2.9 – MEDIDAS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL
10.2.9.1 Nos trabalhos em instalações elétricas, quando as medidas de proteção coletiva forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para controlar os riscos, devem ser adotados equipamentos de proteção individual específicos e adequados às atividades desenvolvidas, em atendimento ao disposto na NR 6.

10.2.9.2 As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades, devendo contemplar a condutibilidade, inflamabilidade e influências eletromagnéticas.

10.2.9.3 É vedado o uso de adornos pessoais nos trabalhos com instalações elétricas ou em suas proximidades.

10.3 – SEGURANÇA EM PROJETOS

10.3.1 É obrigatório que os projetos de instalações elétricas especifiquem dispositivos de desligamento de circuitos que possuam recursos para impedimento de reenergização, para sinalização de advertência com indicação da condição operativa.

10.3.2 O projeto elétrico, na medida do possível, deve prever a instalação de dispositivo de seccionamento de ação simultânea, que permita a aplicação de impedimento de reenergização do circuito.

10.3.3 O projeto de instalações elétricas deve considerar o espaço seguro, quanto ao dimensionamento e a localização de seus componentes e as influências externas, quando da operação e da realização de serviços de construção e manutenção.

10.3.3.1 Os circuitos elétricos com finalidades diferentes, tais como: comunicação, sinalização, controle e tração elétrica devem ser identificados e instalados separadamente, salvo quando o desenvolvimento tecnológico permitir compartilhamento, respeitadas as definições de projetos.

10.3.4 O projeto deve definir a configuração do esquema de aterramento, a obrigatoriedade ou não da interligação entre o condutor neutro e o de proteção e a conexão à terra das partes condutoras não destinadas à condução da eletricidade.

10.3.5 Sempre que for tecnicamente viável e necessário, devem ser projetados dispositivos de seccionamento que incorporem recursos fixos de equipotencialização e aterramento do circuito seccionado.

10.3.6 Todo projeto deve prever condições para a adoção de aterramento temporário.

10.3.7 O projeto das instalações elétricas deve ficar à disposição dos trabalhadores autorizados, das autoridades competentes e de outras pessoas autorizadas pela empresa e deve ser mantido atualizado.

10.3.8 O projeto elétrico deve atender ao que dispõem as Normas Regulamentadoras de Saúde e Segurança no Trabalho, as regulamentações técnicas oficiais estabelecidas, e ser assinado por profissional legalmente habilitado.

10.3.9 O memorial descritivo do projeto deve conter, no mínimo, os seguintes itens de segurança:
a) especificação das características relativas à proteção contra choques elétricos, queimaduras e outros riscos adicionais;
b) indicação de posição dos dispositivos de manobra dos circuitos elétricos: (Verde – “D”, desligado e Vermelho - “L”, ligado);
c) descrição do sistema de identificação de circuitos elétricos e equipamentos, incluindo dispositivos de manobra, de controle, de proteção, de intertravamento, dos condutores e os próprios equipamentos e estruturas, definindo como tais indicações devem ser aplicadas fisicamente nos componentes das instalações;
d) recomendações de restrições e advertências quanto ao acesso de pessoas aos componentes das instalações;
e) precauções aplicáveis em face das influências externas;
f) o princípio funcional dos dispositivos de proteção, constantes do projeto, destinados à segurança das pessoas;
g) descrição da compatibilidade dos dispositivos de proteção com a instalação elétrica.

10.3.10 Os projetos devem assegurar que as instalações proporcionem aos trabalhadores iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 – Ergonomia.

10.4 – SEGURANÇA NA CONSTRUÇÃO, MONTAGEM, OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO
10.4.1 As instalações elétricas devem ser construídas, montadas, operadas, reformadas, ampliadas, reparadas e inspecionadas de forma a garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores e dos usuários, e serem supervisionadas por profissional autorizado, conforme dispõe esta NR.

10.4.2 Nos trabalhos e nas atividades referidas devem ser adotadas medidas preventivas destinadas ao controle dos riscos adicionais, especialmente quanto a altura, confinamento, campos elétricos e magnéticos, explosividade, umidade, poeira, fauna e flora e outros agravantes, adotando-se a sinalização de segurança.

10.4.3 Nos locais de trabalho só podem ser utilizados equipamentos, dispositivos e ferramentas elétricas compatíveis com a instalação elétrica existente, preservando-se as características de proteção, respeitadas as recomendações do fabricante e as influências externas.

10.4.3.1 Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que possuam isolamento elétrico devem estar adequados às tensões envolvidas, e serem inspecionados e testados de acordo com as regulamentações existentes ou recomendações dos fabricantes.

10.4.4 As instalações elétricas devem ser mantidas em condições seguras de funcionamento e seus sistemas de proteção devem ser inspecionados e controlados periodicamente, de acordo com as regulamentações existentes e definições de projetos.

10.4.4.1 Os locais de serviços elétricos, compartimentos e invólucros de equipamentos e instalações elétricas são exclusivos para essa finalidade, sendo expressamente proibido utilizá-los para armazenamento ou guarda de quaisquer objetos.

10.4.5 Para atividades em instalações elétricas deve ser garantida ao trabalhador iluminação adequada e uma posição de trabalho segura, de acordo com a NR 17 – Ergonomia, de forma a permitir que ele disponha dos membros superiores livres para a realização das tarefas.

10.4.6 Os ensaios e testes elétricos laboratoriais e de campo ou comissionamento de instalações elétricas devem atender à regulamentação estabelecida nos itens 10.6 e 10.7, e somente podem ser realizados por trabalhadores que atendam às condições de qualificação, habilitação, capacitação e autorização estabelecidas nesta NR.

10.5 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS DESENERGIZADAS
10.5.1 Somente serão consideradas desenergizadas as instalações elétricas liberadas para trabalho, mediante os procedimentos apropriados, obedecida a seqüência abaixo:
a) seccionamento;
b) impedimento de reenergização;
c) constatação da ausência de tensão;
d) instalação de aterramento temporário com equipotencialização dos condutores dos circuitos;
e) proteção dos elementos energizados existentes na zona controlada (Anexo I);
f) instalação da sinalização de impedimento de reenergização.

10.5.2 O estado de instalação desenergizada deve ser mantido até a autorização para reenergização, devendo ser reenergizada respeitando a seqüência de procedimentos abaixo:
a) retirada das ferramentas, utensílios e equipamentos;
b) retirada da zona controlada de todos os trabalhadores não envolvidos no processo de reenergização;
c) remoção do aterramento temporário, da equipotencialização e das proteções adicionais;
d) remoção da sinalização de impedimento de reenergização;
e) destravamento, se houver, e religação dos dispositivos de seccionamento.

10.5.3 As medidas constantes das alíneas apresentadas nos itens 10.5.1 e 10.5.2 podem ser alteradas, substituídas, ampliadas ou eliminadas, em função das peculiaridades de cada situação, por profissional legalmente habilitado, autorizado e mediante justificativa técnica previamente formalizada, desde que seja mantido o mesmo nível de segurança originalmente preconizado.

10.5.4 Os serviços a serem executados em instalações elétricas desligadas, mas com possibilidade de energização, por qualquer meio ou razão, devem atender ao que estabelece o disposto no item 10.6.

10.6 – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES ELÉTRICAS ENERGIZADAS
10.6.1 As intervenções em instalações elétricas com tensão igual ou superior a 50 Volts em corrente alternada ou superior a 120 Volts em corrente contínua somente podem ser realizadas por trabalhadores que atendam ao que estabelece o item 10.8 desta Norma.

10.6.1.1 Os trabalhadores de que trata o item anterior devem receber treinamento de segurança para trabalhos com instalações elétricas energizadas, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo II desta NR.

10.6.1.2 As operações elementares como ligar e desligar circuitos elétricos, realizadas em baixa tensão, com materiais e equipamentos elétricos em perfeito estado de conservação, adequados para operação, podem ser realizadas por qualquer pessoa não advertida.

10.6.2 Os trabalhos que exigem o ingresso na zona controlada devem ser realizados mediante procedimentos específicos respeitando as distâncias previstas no Anexo I.

10.6.3 Os serviços em instalações energizadas, ou em suas proximidades devem ser suspensos de imediato na iminência de ocorrência que possa colocar os trabalhadores em perigo.

10.6.4 Sempre que inovações tecnológicas forem implementadas ou para a entrada em operações de novas instalações ou equipamentos elétricos devem ser previamente elaboradas análises de risco, desenvolvidas com circuitos desenergizados, e respectivos procedimentos de trabalho.

10.6.5 O responsável pela execução do serviço deve suspender as atividades quando verificar situação ou condição de risco não prevista, cuja eliminação ou neutralização imediata não seja possível.

10.7 – TRABALHOS ENVOLVENDO ALTA TENSÃO (AT)
10.7.1 Os trabalhadores que intervenham em instalações elétricas energizadas com alta tensão, que exerçam suas atividades dentro dos limites estabelecidos como zonas controladas e de risco, conforme Anexo I, devem atender ao disposto no item 10.8 desta NR.

10.7.2 Os trabalhadores de que trata o item 10.7.1 devem receber treinamento de segurança, específico em segurança no Sistema Elétrico de Potência (SEP) e em suas proximidades, com currículo mínimo, carga horária e demais determinações estabelecidas no Anexo II desta NR.

10.7.3 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT, bem como aqueles executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP, não podem ser realizados individualmente.

10.7.4 Todo trabalho em instalações elétricas energizadas em AT, bem como aquelas que interajam com o SEP, somente pode ser realizado mediante ordem de serviço específica para data e local, assinada por superior responsável pela área.

10.7.5 Antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em AT, o superior imediato e a equipe, responsáveis pela execução do serviço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas de forma a atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança em eletricidade aplicáveis ao serviço.

10.7.6 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT somente podem ser realizados quando houver procedimentos específicos, detalhados e assinados por profissional autorizado.

10.7.7 A intervenção em instalações elétricas energizadas em AT dentro dos limites estabelecidos como zona de risco, conforme Anexo I desta NR, somente pode ser realizada mediante a desativação, também conhecida como bloqueio, dos conjuntos e dispositivos de religamento automático do circuito, sistema ou equipamento.

10.7.7.1 Os equipamentos e dispositivos desativados devem ser sinalizados com identificação da condição de desativação, conforme procedimento de trabalho específico padronizado.

10.7.8 Os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou equipados com materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta tensão, devem ser submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente.

10.7.9 Todo trabalhador em instalações elétricas energizadas em AT, bem como aqueles envolvidos em atividades no SEP devem dispor de equipamento que permita a comunicação permanente com os demais membros da equipe ou com o centro de operação durante a realização do serviço.

10.8 – HABILITAÇÃO, QUALIFICAÇÃO, CAPACITAÇÃO E AUTORIZAÇÃO DOS TRABALHADORES
10.8.1 É considerado trabalhador qualificado aquele que comprovar conclusão de curso específico na área elétrica reconhecido pelo Sistema Oficial de Ensino.

10.8.2 É considerado profissional legalmente habilitado o trabalhador previamente qualificado e com registro no competente conselho de classe.

10.8.3 É considerado trabalhador capacitado aquele que atenda às seguintes condições, simultaneamente:
a) receba capacitação sob orientação e responsabilidade de profissional habilitado e autorizado; e
b) trabalhe sob a responsabilidade de profissional habilitado e autorizado.

10.8.3.1 A capacitação só terá validade para a empresa que o capacitou e nas condições estabelecidas pelo profissional habilitado e autorizado responsável pela capacitação.

10.8.4 São considerados autorizados os trabalhadores qualificados ou capacitados e os profissionais habilitados, com anuência formal da empresa.

10.8.5 A empresa deve estabelecer sistema de identificação que permita a qualquer tempo conhecer a abrangência da autorização de cada trabalhador, conforme o item 10.8.4.

10.8.6 Os trabalhadores autorizados a trabalhar em instalações elétricas devem ter essa condição consignada no sistema de registro de empregado da empresa.

10.8.7 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem ser submetidos a exame de saúde compatível com as atividades a serem desenvolvidas, realizado em conformidade com a NR 7 e registrado em seu prontuário médico.

10.8.8 Os trabalhadores autorizados a intervir em instalações elétricas devem possuir treinamento específico sobre os riscos decorrentes do emprego da energia elétrica e as principais medidas de prevenção de acidentes em instalações elétricas, de acordo com o estabelecido no Anexo II desta NR.

10.8.8.1 A empresa concederá autorização na forma desta NR aos trabalhadores capacitados ou qualificados e aos profissionais habilitados que tenham participado com avaliação e aproveitamento satisfatórios dos cursos constantes do ANEXO II desta NR.

10.8.8.2 Deve ser realizado um treinamento de reciclagem bienal e sempre que ocorrer alguma das situações a seguir:
a) troca de função ou mudança de empresa;
b) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a três meses;
c) modificações significativas nas instalações elétricas ou troca de métodos, processos e organização do trabalho.

10.8.8.3 A carga horária e o conteúdo programático dos treinamentos de reciclagem destinados ao atendimento das alíneas “a”, “b” e “c” do item 10.8.8.2 devem atender as necessidades da situação que o motivou.

10.8.8.4 Os trabalhos em áreas classificadas devem ser precedidos de treinamento especifico de acordo com risco envolvido.

10.8.9 Os trabalhadores com atividades não relacionadas às instalações elétricas desenvolvidas em zona livre e na vizinhança da zona controlada, conforme define esta NR, devem ser instruídos formalmente com conhecimentos que permitam identificar e avaliar seus possíveis riscos e adotar as precauções cabíveis.

10.9 – PROTEÇÃO CONTRA INCÊNDIO E EXPLOSÃO
10.9.1 As áreas onde houver instalações ou equipamentos elétricos devem ser dotadas de proteção contra incêndio e explosão, conforme dispõe a NR 23 – Proteção Contra Incêndios.

10.9.2 Os materiais, peças, dispositivos, equipamentos e sistemas destinados à aplicação em instalações elétricas de ambientes com atmosferas potencialmente explosivas devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema Brasileiro de Certificação.

10.9.3 Os processos ou equipamentos susceptíveis de gerar ou acumular eletricidade estática devem dispor de proteção específica e dispositivos de descarga elétrica.

10.9.4 Nas instalações elétricas de áreas classificadas ou sujeitas a risco acentuado de incêndio ou explosões, devem ser adotados dispositivos de proteção, como alarme e seccionamento automático para prevenir sobretensões, sobrecorrentes, falhas de isolamento, aquecimentos ou outras condições anormais de operação.

10.9.5 Os serviços em instalações elétricas nas áreas classificadas somente poderão ser realizados mediante permissão para o trabalho com liberação formalizada, conforme estabelece o item 10.5 ou supressão do agente de risco que determina a classificação da área.

10.10 – SINALIZAÇÃO DE SEGURANÇA
10.10.1 Nas instalações e serviços em eletricidade deve ser adotada sinalização adequada de segurança, destinada à advertência e à identificação, obedecendo ao disposto na NR-26 – Sinalização de Segurança, de forma a atender, dentre outras, as situações a seguir:
a) identificação de circuitos elétricos;
b) travamentos e bloqueios de dispositivos e sistemas de manobra e comandos;
c) restrições e impedimentos de acesso;
d) delimitações de áreas;
e) sinalização de áreas de circulação, de vias públicas, de veículos e de movimentação de cargas;
f) sinalização de impedimento de energização;
g) identificação de equipamento ou circuito impedido.

10.11 – PROCEDIMENTOS DE TRABALHO
10.11.1 Os serviços em instalações elétricas devem ser planejados e realizados em conformidade com procedimentos de trabalho específicos, padronizados, com descrição detalhada de cada tarefa, passo a passo, assinados por profissional que atenda ao que estabelece o item 10.8 desta NR.

10.11.2 Os serviços em instalações elétricas devem ser precedidos de ordens de serviço especificas, aprovadas por trabalhador autorizado, contendo, no mínimo, o tipo, a data, o local e as referências aos procedimentos de trabalho a serem adotados.

10.11.3 Os procedimentos de trabalho devem conter, no mínimo, objetivo, campo de aplicação, base técnica, competências e responsabilidades, disposições gerais, medidas de controle e orientações finais.

10.11.4 Os procedimentos de trabalho, o treinamento de segurança e saúde e a autorização de que trata o item 10.8 devem ter a participação em todo processo de desenvolvimento do Serviço Especializado de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT, quando houver.

10.11.5 A autorização referida no item 10.8 deve estar em conformidade com o treinamento ministrado, previsto no Anexo II desta NR.

10.11.6 Toda equipe deverá ter um de seus trabalhadores indicado e em condições de exercer a supervisão e condução dos trabalhos.

10.11.7 Antes de iniciar trabalhos em equipe os seus membros, em conjunto com o responsável pela execução do serviço, devem realizar uma avaliação prévia, estudar e planejar as atividades e ações a serem desenvolvidas no local, de forma a atender os princípios técnicos básicos e as melhores técnicas de segurança aplicáveis ao serviço.

10.11.8 A alternância de atividades deve considerar a análise de riscos das tarefas e a competência dos trabalhadores envolvidos, de forma a garantir a segurança e a saúde no trabalho.

10.12 – SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA
10.12.1 As ações de emergência que envolvam as instalações ou serviços com eletricidade devem constar do plano de emergência da empresa.

10.12.2 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a executar o resgate e prestar primeiros socorros a acidentados, especialmente por meio de reanimação cardio-respiratória.

10.12.3 A empresa deve possuir métodos de resgate padronizados e adequados às suas atividades, disponibilizando os meios para a sua aplicação.

10.12.4 Os trabalhadores autorizados devem estar aptos a manusear e operar equipamentos de prevenção e combate a incêndio existentes nas instalações elétricas.

10.13 – RESPONSABILIDADES
10.13.1 As responsabilidades quanto ao cumprimento desta NR são solidárias aos contratantes e contratados envolvidos.

10.13.2 É de responsabilidade dos contratantes manter os trabalhadores informados sobre os riscos a que estão expostos, instruindo-os quanto aos procedimentos e medidas de controle contra os riscos elétricos a serem adotados.

10.13.3 Cabe à empresa, na ocorrência de acidentes de trabalho envolvendo instalações e serviços em eletricidade, propor e adotar medidas preventivas e corretivas.

10.13.4 Cabe aos trabalhadores:
a) zelar pela sua segurança e saúde e a de outras pessoas que possam ser afetadas por suas ações ou omissões no trabalho;
b) responsabilizar-se junto com a empresa pelo cumprimento das disposições legais e regulamentares, inclusive quanto aos procedimentos internos de segurança e saúde; e
c) comunicar, de imediato, ao responsável pela execução do serviço as situações que considerar de risco para sua segurança e saúde e a de outras pessoas.

10.14 – DISPOSIÇÕES FINAIS
10.14.1 Os trabalhadores devem interromper suas tarefas exercendo o direito de recusa, sempre que constatarem evidências de riscos graves e iminentes para sua segurança e saúde ou a de outras pessoas, comunicando imediatamente o fato a seu superior hierárquico, que diligenciará as medidas cabíveis.

10.14.2 As empresas devem promover ações de controle de riscos originados por outrem em suas instalações elétricas e oferecer, de imediato, quando cabível, denúncia aos órgãos competentes.

10.14.3 Na ocorrência do não cumprimento das normas constantes nesta NR, o MTE adotará as providências estabelecidas na NR 3.

10.14.4 A documentação prevista nesta NR deve estar permanentemente à disposição dos trabalhadores que atuam em serviços e instalações elétricas, respeitadas as abrangências, limitações e interferências nas tarefas.

10.14.5 A documentação prevista nesta NR deve estar, permanentemente, à disposição das autoridades competentes.

10.14.6 Esta NR não é aplicável a instalações elétricas alimentadas por extra-baixa tensão.

GLOSSÁRIO
1. Alta Tensão (AT): tensão superior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

2. Área Classificada: local com potencialidade de ocorrência de atmosfera explosiva.

3. Aterramento Elétrico Temporário: ligação elétrica efetiva confiável e adequada intencional à terra, destinada a garantir a equipotencialidade e mantida continuamente durante a intervenção na instalação elétrica.

4. Atmosfera Explosiva: mistura com o ar, sob condições atmosféricas, de substâncias inflamáveis na forma de gás, vapor, névoa, poeira ou fibras, na qual após a ignição a combustão se propaga.

5. Baixa Tensão (BT): tensão superior a 50 volts em corrente alternada ou 120 volts em corrente contínua e igual ou inferior a 1000 volts em corrente alternada ou 1500 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

6. Barreira: dispositivo que impede qualquer contato com partes energizadas das instalações elétricas.

7. Direito de Recusa: instrumento que assegura ao trabalhador a interrupção de uma atividade de trabalho por considerar que ela envolve grave e iminente risco para sua segurança e saúde ou de outras pessoas.

8. Equipamento de Proteção Coletiva (EPC): dispositivo, sistema, ou meio, fixo ou móvel de abrangência coletiva, destinado a preservar a integridade física e a saúde dos trabalhadores, usuários e terceiros.

9. Equipamento Segregado: equipamento tornado inacessível por meio de invólucro ou barreira.

10. Extra-Baixa Tensão (EBT): tensão não superior a 50 volts em corrente alternada ou 120 volts em corrente contínua, entre fases ou entre fase e terra.

11. Influências Externas: variáveis que devem ser consideradas na definição e seleção de medidas de proteção para segurança das pessoas e desempenho dos componentes da instalação.

12. Instalação Elétrica: conjunto das partes elétricas e não elétricas associadas e com características coordenadas entre si, que são necessárias ao funcionamento de uma parte determinada de um sistema elétrico.

13. Instalação Liberada para Serviços (BT/AT): aquela que garanta as condições de segurança ao trabalhador por meio de procedimentos e equipamentos adequados desde o início até o final dos trabalhos e liberação para uso.

14. Impedimento de Reenergização: condição que garante a não energização do circuito através de recursos e procedimentos apropriados, sob controle dos trabalhadores envolvidos nos serviços.

15. Invólucro: envoltório de partes energizadas destinado a impedir qualquer contato com partes internas.

16. Isolamento Elétrico: processo destinado a impedir a passagem de corrente elétrica, por interposição de materiais isolantes.

17. Obstáculo: elemento que impede o contato acidental, mas não impede o contato direto por ação deliberada.

18. Perigo: situação ou condição de risco com probabilidade de causar lesão física ou dano à saúde das pessoas por ausência de medidas de controle.

19. Pessoa Advertida: pessoa informada ou com conhecimento suficiente para evitar os perigos da eletricidade.

20. Procedimento: seqüência de operações a serem desenvolvidas para realização de um determinado trabalho, com a inclusão dos meios materiais e humanos, medidas de segurança e circunstâncias que impossibilitem sua
realização.

21. Prontuário: sistema organizado de forma a conter uma memória dinâmica de informações pertinentes às instalações e aos trabalhadores.

22. Risco: capacidade de uma grandeza com potencial para causar lesões ou danos à saúde das pessoas.

23. Riscos Adicionais: todos os demais grupos ou fatores de risco, além dos elétricos, específicos de cada ambiente ou processos de Trabalho que, direta ou indiretamente, possam afetar a segurança e a saúde no trabalho.

24. Sinalização: procedimento padronizado destinado a orientar, alertar, avisar e advertir.

25. Sistema Elétrico: circuito ou circuitos elétricos inter-relacionados destinados a atingir um determinado objetivo.

26. Sistema Elétrico de Potência (SEP): conjunto das instalações e equipamentos destinados à geração, transmissão e distribuição de energia elétrica até a medição, inclusive.

27. Tensão de Segurança: extra baixa tensão originada em uma fonte de segurança.

28. Trabalho em Proximidade: trabalho durante o qual o trabalhador pode entrar na zona controlada, ainda que seja com uma parte do seu corpo ou com extensões condutoras, representadas por materiais, ferramentas ou equipamentos que manipule.

29. Travamento: ação destinada a manter, por meios mecânicos, um dispositivo de manobra fixo numa determinada posição, de forma a impedir uma operação não autorizada.

30. Zona de Risco: entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível inclusive acidentalmente, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais autorizados e com a adoção de técnicas e instrumentos apropriados de trabalho.

31. Zona Controlada: entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais autorizados.

ANEXO I
ZONA DE RISCO E ZONA CONTROLADA
Tabela de raios de delimitação de zonas de risco, controlada e livre.

nr 10 tabela 01
Figura 1 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre

nr 10 figura 01

 

Figura 2 – Distâncias no ar que delimitam radialmente as zonas de risco, controlada e livre, com interposição de superfície de separação física adequada.

nr 10 figura 02
ZL = Zona livre
ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores autorizados.
ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores autorizados e com a adoção de técnicas, instrumentos e equipamentos apropriados ao trabalho.
PE = Ponto da instalação energizado.
SI = Superfície isolante construída com material resistente e dotada de todos dispositivos de segurança.

 

ANEXO II
TREINAMENTO  

1. CURSO BÁSICO – SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS COM ELETRICIDADE

I – Para os trabalhadores autorizados: carga horária mínima – 40h:
Programação Mínima:

1. introdução à segurança com eletricidade.

2. riscos em instalações e serviços com eletricidade:
a) o choque elétrico, mecanismos e efeitos;
b) arcos elétricos; queimaduras e quedas;
c) campos eletromagnéticos.

3. Técnicas de Análise de Risco.

4. Medidas de Controle do Risco Elétrico:
a) desenergização.
b) aterramento funcional (TN / TT / IT); de proteção; temporário;
c) equipotencialização;
d) seccionamento automático da alimentação;
e) dispositivos a corrente de fuga;
f) extra baixa tensão;
g) barreiras e invólucros;
h) bloqueios e impedimentos;
i) obstáculos e anteparos;
j) isolamento das partes vivas;
k) isolação dupla ou reforçada;
l) colocação fora de alcance;
m) separação elétrica.

5. Normas Técnicas Brasileiras – NBR da ABNT: NBR-5410, NBR 14039 e outras;

6. Regulamentações do MTE:
a) NRs;
b) NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços com Eletricidade);
c) qualificação; habilitação; capacitação e autorização.

7. Equipamentos de proteção coletiva.

8. Equipamentos de proteção individual.

9. Rotinas de trabalho – Procedimentos.
a) instalações desenergizadas;
b) liberação para serviços;
c) sinalização;
d) inspeções de áreas, serviços, ferramental e equipamento;

10. Documentação de instalações elétricas.

11. Riscos adicionais:
a) altura;
b) ambientes confinados;
c) áreas classificadas;
d) umidade;
e) condições atmosféricas.

12. Proteção e combate a incêndios:
a) noções básicas;
b) medidas preventivas;
c) métodos de extinção;
d) prática;

13. Acidentes de origem elétrica:
a) causas diretas e indiretas;
b) discussão de casos;

14. Primeiros socorros:
a) noções sobre lesões;
b) priorização do atendimento;
c) aplicação de respiração artificial;
d) massagem cardíaca;
e) técnicas para remoção e transporte de acidentados;
f) práticas.

15. Responsabilidades.

2. CURSO COMPLEMENTAR – SEGURANÇA NO SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA (SEP) E EM SUAS PROXIMIDADES.
É pré-requisito para freqüentar este curso complementar, ter participado, com aproveitamento satisfatório, do curso básico definido anteriormente.
Carga horária mínima – 40h
(*) Estes tópicos deverão ser desenvolvidos e dirigidos especificamente para as condições de trabalho características de cada ramo, padrão de operação, de nível de tensão e de outras peculiaridades específicas ao tipo ou condição especial de atividade, sendo obedecida a hierarquia no aperfeiçoamento técnico do trabalhador.

I – Programação Mínima:
1. Organização do Sistema Elétrico de Potencia – SEP.

2. Organização do trabalho:
a) programação e planejamento dos serviços;
b) trabalho em equipe;
c) prontuário e cadastro das instalações;
d) métodos de trabalho; e
e) comunicação.

3. Aspectos comportamentais.

4. Condições impeditivas para serviços.

5. Riscos típicos no SEP e sua prevenção (*):
a) proximidade e contatos com partes energizadas;
b) indução;
c) descargas atmosféricas;
d) estática;
e) campos elétricos e magnéticos;
f) comunicação e identificação; e
g) trabalhos em altura, máquinas e equipamentos especiais.

6. Técnicas de análise de Risco no S E P (*)

7. Procedimentos de trabalho – análise e discussão. (*)

8. Técnicas de trabalho sob tensão: (*)
a) em linha viva;
b) ao potencial;
c) em áreas internas;
d) trabalho a distância;
e) trabalhos noturnos; e
f) ambientes subterrâneos.

 

 

AUTOR

 

Almeja-se que, com essa explanação de texto, ilustrada com fotos e vídeos, os profissionais do setor elétrico, os do ramo de soldagem ou similares (lixadeiras, esmerilhadeiras e outros, que também produzem fagulhas) e também os leigos, dediquem o máximo de atenção a trabalhos desse tipo, bem como na instalação de disjuntores de proteção.

Riscos existem, mas podem ser evitados ou minimizados.

 

OBJETIVO

A principal meta da presente publicação é orientar os profissionais e os consumidores sobre a finalidade do disjuntor, quando ocorrer um curto circuito, além de alertar sobre a qualidade dos produtos existentes no mercado nacional.

Outros assuntos, como o correto dimensionamento, a manutenção preventiva, curvas características (de desarme e da escolha de atuação) e outras informações serão objeto de postagem específica.

INTRODUÇÃO E HISTÓRICO

Uma das principais causas apontadas para a ocorrência de incêndios, seguramente é o curto circuito.

Quando este ocorre sob a ação acidental das pessoas (o corte do fio de uma máquina de cortar grama, por exemplo), normalmente o problema é corrigido de imediato.

Entretanto, como na maioria das instalações a fiação condutora de eletricidade está oculta, ou inacessível ao leigo, ou quando a propriedade está momentaneamente sem a presença de pessoas capazes de agir em situação de emergência (crianças sozinhas em casa, por exemplo), se ocorrer um curto circuito, esse poderá provocar um princípio de incêndio.

Essa informação é conhecida desde tempos remotos, por isso todas as propriedades consumidoras de energia elétrica sempre tiveram alguma espécie de proteção contra o curto circuito, contra a sobrecarga ou mesmo para possibilitar desligamentos manuais, para manutenção ou em casos de emergência.

Durante muitos anos usou-se um dispositivo com base de porcelana (isolante), chamado de chave faca com fusíveis.

01 – Exemplar de uma chave faca com dois fusíveis do tipo rolha. Usado em residências, interrompia a fase e o neutro. Oferecia o risco de choque elétrico devido às partes energizadas e expostas, bem como poderia provocar queimaduras quando ocorresse o desligamento sob carga, devido ao arco elétrico.

fusivel 01

 

02 – Removendo o fusível rolha.

fusivel 02

 

03 – Mostrando o local onde era colocado o elemento fusível, que deveria ser de chumbo, com ampacidade (limite de condução de corrente) padronizada.

fusivel 03

 

04 – Detalhe do local onde, às vezes, leigos colocavam fio de cobre superdimensionado ou arame. Observe que um dos fusíveis, ainda completo, exibe a proteção metálica para confinar a explosão de faíscas do metal derretido, em caso de curto circuito. O visor era feito em mica, um bom isolante elétrico e térmico.

fusivel 04

 

05 – A seta indica o local onde leigos removiam o parafuso e a arruela de latão, além do disco isolante de fenolite ou outro material isolante, colocando uma pequena moeda.

fusivel 05

 

 

Essa chave seccionadora (corta a alimentação elétrica de forma visível), também era utilizada na indústria em outras versões, mas apresentava alto risco devido à possibilidade de contato acidental em suas partes condutoras, que ficavam expostas e energizadas.

Outro grave problema era a atuação de leigos, que substituíam os fusíveis rompidos, de chumbo, com ampacidade padronizada, por pedaços de fio de cobre, arame, ou então colocando pequenas moedas no fundo da base do fusível rolha, o que impedia o correto desligamento em caso de anomalias elétricas.

Muito importante salientar que, naquela época, os condutores eram isolados com capa interna de borracha e externa de tecido embebido em alcatrão, que, com o passar do tempo secava, se tornava quebradiço e acabava soltando-se do fio facilmente.

E o pior é que tal isolação do condutor queimava-se facilmente, propagando o fogo rapidamente.

Esse problema foi sanado na década de 1980, quando se modificou o sistema de bitola do fio, oriundo do sistema norte-americano (AWG – American Wire Gauge), para o padrão “mm²” de secção e foi tornada obrigatória a adição de aditivos não propagatórios de chama (isolação anti-chama), na recém surgida isolação de PVC (Policloreto de vinilina).

Diante de tantos fatores adversos na utilização da energia elétrica, que provocavam acidentes pessoais e incêndios, o sistema de proteção foi substituído pelo disjuntor termomagnético.

A primeira patente requerida para o disjuntor foi da Westinghouse, na década de 1920.

No Brasil a fabricação de disjuntores residenciais, por essa empresa e também pela General Eletric – GE, iniciou-se na década de 1960.

Antes disso, os disjuntores em uso eram importados.

A popularização de uso dos disjuntores foi iniciada na década de 1970 e acabou sendo consolidada como meio eficaz, seguro e de aproveitamento permanente, já que, na ocorrência de desligamento por alguma anomalia, era só rearmá-lo (ligar novamente) facilmente, após solucionar o causador do problema.

A vida útil de um disjuntor é de aproximadamente cinco mil manobras manuais. Em caso de atuações por curto circuito ou sobre-corrente, essa marca deve ser reavaliada.

Veja a seguir como é importante usar o disjuntor.

 

DEFINIÇÕES
A Eletricidade (energia elétrica) é gerada a partir da utilização de outras formas de energia: magnetismo; ação química; calor; pressão; atrito e luz.
Os meios mais difundidos são: o magnetismo (eletricidade que usamos em nossos lares, indústrias, etc.) e a ação química (pilhas e baterias em geral).

Cada átomo de um elemento químico é composto de igual número de prótons e elétrons, cada um com sua quantidade específica.
O cobre, por exemplo, é facilmente suscetível de perder ou ceder elétrons de suas últimas camadas de valência.

A força magnética (força eletromotriz ou tensão elétrica, medida em Volts – V) consegue “remover” elétrons de um átomo (a quantidade, na verdade, seria incontável) que ficaria vagando no “espaço vazio” entre os demais átomos, até ser “capturado” por outro átomo.
Quanto maior a força magnética maior será a tensão elétrica, que poderá deslocar maior número de elétrons.

Nessa condição eles são chamados de “elétrons livres”.

Deve haver a conjugação de movimento com a força magnética (turbinas com diversos tipos de acionamento – hidroelétrica, térmica, nuclear, eólica).

A circulação ou essa “troca de local” dos elétrons é chamada de corrente elétrica, que pode produzir luz, calor e movimento, dentre outras finalidades.

Uma corrente de um Ampère flui quando um Coulomb (1 Volt) de carga (6,28 x 10(x18 ) elétrons – 10 seguido de dezoito zeros) passa por um determinado ponto durante o tempo de um segundo.

Um exemplo prático:

Em um chuveiro comum, na posição de aquecimento máximo, circulam 30 A (Ampères) em 220 V (Volts).
Dentro do chuveiro, em contato direto com a água, há um fio metálico (resistência que pode ser de níquel cromo) que “não conduz bem” a corrente elétrica, ou seja, a característica física desse componente (resistividade) o torna um mau condutor, aliada ao comprimento e à secção (grossura do fio).
Esse conjunto de fatores é denominado de resistência elétrica (oposição à passagem da corrente elétrica).

Para entender melhor, imagine um corredor para circulação de pessoas, indo de um ponto “A” para um ponto “B”, em um tempo específico.

Situação 1 – O corredor é espaçoso, de trajeto curto, sem nenhum obstáculo no caminho. As pessoas percorrerão o trajeto com facilidade, sem fadiga, sem contratempos, sem “calorão”.
Por analogia, seria um bom condutor de eletricidade, como o cobre, de baixa resistividade, desde que a secção fosse “ampla” e o comprimento “curto”. Não haveria resistência à passagem da corrente elétrica.

Situação 2 – No mesmo tempo, igual número de pessoas precisaria atravessar um corredor apertado, longo e cheio de obstáculos. Certamente haveria “empurra-empurra” e discussões “acaloradas”.
É o que ocorre em um mau condutor de eletricidade: resistividade alta (obstáculos), comprimento longo e secção reduzida (fio fino). O resultado é alta resistência à passagem da corrente elétrica, o que provoca o aquecimento do fio, que por sua vez aquece a água para o nosso banho “quentinho”.

É por isso que precisamos dimensionar corretamente, em uma instalação elétrica, a bitola do condutor (fio de cobre), de acordo com cada carga (verificar a potência em Watts), para que esse fio não aqueça quando circular a corrente elétrica.

O CURTO CIRCUITO

Quando ocorre, no entanto, o contato acidental de condutores com potencial elétrico diferente (na rede elétrica temos o fio neutro, com zero volt, e o fio fase, com 220 V, por exemplo) ou de polaridades opostas (encostando o fio negativo no positivo de uma bateria, por exemplo), a passagem da corrente elétrica flui com uma intensidade elevadíssima (podendo chegar a milhares de Ampères), já que não há resistência à passagem da corrente elétrica.

Não havendo o desligamento automático (disjuntor ou fusível), a tensão elétrica (em Volts) provocará a “remoção” de elétrons das camadas de valência mais internas, próximas do núcleo do átomo, causando assim um aumento desordenado no seu fluxo, ou seja, aumentando em valores elevadíssimos a intensidade da corrente.

Com esse aumento de elétrons em movimento, haverá um incremento exagerado de “colisões” entre eles, provocando o superaquecimento do fio.

A temperatura poderá ser tão elevada que causará a fundição do fio, ou seja, o cobre derreterá (em torno de 1.100ºC).

Dependendo do que estiver nas proximidades, ou em contato direto daquele foco de extremo calor (local do curto circuito), haverá a deflagração de incêndio.

A madeira, por exemplo, tem um ponto de combustão (temperatura mínima em que pode inflamar-se) de valor aproximado a 230ºC.

Durante o curto circuito formam-se faíscas, explosões, intenso calor, forte luminosidade, fumaça e pedaços fundidos de metal; é o cobre (seus átomos) sendo transformado em “outras coisas”.

O incêndio ocorre devido à existência dos três componentes do triangulo do fogo: calor, combustível e comburente (ar).

No vídeo a seguir, você poderá observar como se comportam alguns disjuntores quando é provocado um curto circuito.

video-curto

01 – Local onde foi feita a alimentação para os testes de atuação dos disjuntores; disjuntor geral após a medição.

disjuntor 01

 

02 – Quadro de testes com 20 disjuntores monopolares e dois tripolares. No vídeo há a menção incorreta sobre a quantidade (que digo serem 24) de disjuntores, devido à substituição antes do teste, de três disjuntores monopolares por mais um tripolar.

 

disjuntor 02

03 – Detalhes do barramento. Cores padronizadas: Azul = neutro; Vermelho = fase 1; Amarelo = fase 2.

disjuntor 03

 

04 – Vista parcial dos disjuntores a serem testados.

disjuntor 04

 

Vista superior, da esquerda para a direita:

01) Siemens – 10 A

02) ABB – 32 A

03) Westinghouse – 10 A

04) Starlight (China) – 10 A

05) Siemens – 10 A

06) Siemens – 20 A

07) Soprano (tripolar) – 40 A

08) Soprano – 10 A

09) Apesa – 25 A

10) Siemens – 25 A (fase 2)

11) Siemens – 32 A (fase 2)

12) Siemens – 32 A (fase 2)

Vista inferior, da esquerda para a direita:

01) Siemens – 30 A

02) Pial Unic – 20 A

03) Westinghouse (tripolar) – 20 A

04) Sermar – 15 A

05) Westinghouse – 15 A

06) GE – 10 A

07) Lorenzetti – 35 A

08) GE – 30 A

09) Sermar – 15 A

10) GE – 20 A

 

05 – Indicando que todos os disjuntores estão ligados em série. O fio está ligado na saída de um disjuntor e segue para a entrada de outro, desde a entrada de alimentação elétrica até o barramento.

disjuntor 05

 

06 – Medição da tensão entre fase e neutro – 221 V – com pequena oscilação de 1 Volt.

disjuntor 06

 

07 – Pontos de medição entre as fase 1 e 2

disjuntor 07

 

08 – Valor de tensão encontrado entre as fases 1 e 2 – 388 Volts.

disjuntor 08

 

09 – O uso de óculos escuros de proteção evita o contato de fagulhas nos olhos, além de absorver a excessiva luminosidade, que ocorre no momento do curto circuito.

disjuntor 09

 

10 – Momento do primeiro teste de curto circuito. Apenas um dos múltiplos fios que compõem o condutor utilizado, de bitola 2,5 mm².

disjuntor 10

 

11 – Detalhe para a proteção da mão contra queimaduras e choque elétrico; uso de luva de pelica e botina de segurança específica para uso em Eletricidade.

disjuntor 11

 

12 – Momento preciso do curto circuito entre fase e neutro.

disjuntor 12

 

13 – Frações de segundo após o curto circuito, podem ser verificados os disjuntores Siemens que desarmaram.

disjuntor 13

14 – Novo teste. Podem ser observadas as fagulhas do curto circuito e os disjuntores que já desarmaram (Siemens).

 

disjuntor 15

15 – Após a provocação de dois curtos circuitos, observem que o fio perdeu apenas algo em torno de 40% de seu comprimento original. A coloração arroxeada também indica que houve sobre-corrente.

disjuntor 15

 

16 – Preparando mais um curto circuito, desta feita em 380 Volts.

disjuntor 16

 

17 – As fagulhas ainda podem ser vistas, após o curto circuito entre duas fases, ao mesmo tempo em que se observa os disjuntores desarmados na parte superior: 6 da marca Siemens e o ABB.

disjuntor 17

 

18 – Aqui se comprova que o outro Siemens e o Pial Unic também desarmaram nesse teste.

disjuntor 18

 

19 – O fio que foi encostado no barramento da outra fase, rompeu-se.

disjuntor 19

 

20 – Pode-se verificar os efeitos dos curtos circuitos e os pedaços de fios partidos durante os testes em 380 Volts.

disjuntor 20

 

21 – Mais um detalhe no barramento. Observe a tinta da estrutura de madeira que sofreu sob ação de vários arcos elétricos.

disjuntor 21

 

22 – Repetição de curto circuito em 220 Volts.

disjuntor 22

 

23 – Momento exato do curto circuito, gerando o arco elétrico, com luz e fagulhas sendo difundidas.

disjuntor 23

 

24 – Observa-se agora que apenas um disjuntor Siemens desarmou, mais rapidamente que os demais, comprovando sua eficácia. No vídeo vemos que os efeitos do curto circuito foram muito menores que os demais.

disjuntor 24

 

25 – A finalização dos testes após 10 curtos circuitos, sendo 3 deles entre duas fases.

disjuntor 25

 

26 – O mínimo de danos causados no fio neutro, após 7 curtos circuitos.

disjuntor 26

 

27 – Diferente dos danos em 220 V, o curto circuito em 380 V provocou a ruptura do fio que ficou em contato com o barramento, sem consumi-lo como em 220 V.

disjuntor 27

 

28 – Diferente dos testes com o dispositivo DR, aqui eu posso asseverar a confiabilidade do funcionamento de disjuntores da marca Siemens e também da Pial Unic, quando da ocorrência de curto circuito.

disjuntor 28

 

 

 

PRECAUÇÕES

Devemos, pois, manter uma instalação elétrica em condições adequadas de funcionamento:

- condutores de bitola correta;

- isolação intacta;

- emendas bem feitas e bem isoladas;

- conexões bem apertadas; disjuntores de ótima qualidade (Siemens, por exemplo) e de ampacidade (capacidade de condução de corrente) condizente à carga e aquém do limite de condução de corrente dos condutores.

Assista ao vídeo mostrando algumas dicas sobre fusíveis e disjuntores:

video-fusivel

É imprescindível e obrigatório por Lei (NR 10) que esse tipo de trabalho somente seja executado por profissionais capacitados (treinado por habilitado), ou qualificados (com curso em estabelecimento oficial de ensino) ou habilitados (formado e registrado no CREA).

A SOLDA ELÉTRICA E A FUNDIÇÃO DE METAIS

Podemos, entretanto, indicar aspectos práticos do curto circuito.
Um exemplo de utilização do curto circuito para fins profissionais é o da solda elétrica.
Nesse caso, provoca-se a fusão de metais (normalmente aço ou ferro e outras ligas) através da passagem de corrente elétrica elevada (alguns na ordem de 30 a 300 A, em torno de 60 a 90 V) por um eletrodo com aditivos, que vai se derretendo, provocando faíscas, fogo, fumaça e impurezas, exatamente como em um curto circuito acidental, ainda que, nesse caso, sendo perfeitamente controlável pelo profissional soldador.

O eletrodo, ao fundir-se, provoca o mesmo efeito na superfície que está sendo posta em contato, causando assim uma massa homogênea de metal derretido, que é chamada de solda elétrica.

Assista ao vídeo mostrando algumas características da solda elétrica

video-solda

01 – Para servir de alerta a possíveis atos inseguros durante trabalhos de solda elétrica, colocou-se alguns materiais combustíveis em local muito próximo desse vídeo de simulação. São eles: papel grosso (saco de cimento), papelão seco, pedaço de pano, madeira seca e peça de plástico.

solda 01

 

02 – Na maioria dos aparelhos portáteis de solda elétrica, os seus usuários costumam ligar um cordão paralelo (para instalação aparente, sem consistência mecânica), cujas extremidades são desencapadas e enfiadas em uma tomada qualquer, colocando a propriedade em risco de incêndio. Aqui eu instalei um contator, acionado por um comutador, protegido por um disjuntor Siemens de 32 A, dentro de caixa do tipo GSP, da Siemens. O cabo de alimentação é do tipo plastichumbo de 2 x 6,0 mm² com plugue para 25 A.

solda 02

 

03 – O cabo original do aparelho era curto e de bitola insuficiente para suportar soldagens em corrente elevada. Foi feito um acréscimo no comprimento e em bitola adequada para suportar até no mínimo 150 A.

solda 03

 

04 – Segurar a câmera, mais o eletrodo e a máscara para solda com duas mãos não seria possível. Por isso utilizei os óculos escuros de proteção, um pouco aquém da proteção do visor da máscara, mas ainda suficientes para proteger momentaneamente eventuais visualizações de arco elétrico.

solda 04

 

05 – O início da combustão dos materiais sólidos abaixo do local de soldagem (objetivo da demonstração desse vídeo) foi dificultado em função da baixa temperatura ambiente; 12,7 ºC.

solda 05

 

06 – O sensor do termômetro foi colocado junto ao alicate de pressão e preso por pedaço de fio sólido. A finalidade desse alicate é a de propiciar um perfeito contato elétrico do cabo de “terra”.

solda 06

 

07 – A tensão de saída oscilou entre 56 e 57 V. A alimentação do aparelho é de 220 V. Alguns são bi-fásicos para uso em 380 V. Deve-se ter muito cuidado quando for usar um aparelho elétrico quanto ao seu nível de tensão de uso, sob pena de queima do enrolamento do transformador.

solda 07

 

08 – Efetuei a medição na entrada de energia do aparelho de solda para demonstrar o risco que é provocado quando profissionais soldadores (os serralheiros), normalmente sem qualquer conhecimento de eletricidade, inserem o par de fios em uma tomada monofásica residencial, cuja capacidade máxima é para 10 A. No exemplo eu estava soldando com a corrente de 70 A na saída do aparelho, consumindo 12,2 A na entrada. Se estivesse ligado em tomada comum ocorreria o superaquecimento da tomada e talvez da fiação, dependendo da bitola utilizada. Para esses casos, quando há a instalação de disjuntores com ampacidade correta e de boa qualidade (Siemens), ele atua de acordo com a curva de desarme com precisão, desligando logo no início das soldas.

solda 08

 

09 – Esse é o arco elétrico durante o curto circuito limitado em 70 Ampères, com a tensão de 56 Volts, entre maus condutores de eletricidade (chapa de ferro e eletrodo – 3 mm – de ferro ou similar). Se fosse em 220 V ou em 380 V, tal arco elétrico seria multiplicado.

solda 09

 

10 – Nessa imagem o eletrodo é de maior diâmetro (4 mm) e a corrente de saída está ajustada em 100 A. Observe, pela geração de luz branca, que a temperatura é muito superior ao exemplo anterior.

solda 10

 

11 – Uma fagulha já deu início ao fogo na peça de plástico. Se houvesse produtos inflamáveis nas proximidades o incêndio estaria consolidado.

solda 11

 

12 – Mais um exemplo da alta temperatura dissipada em curto circuito com corrente ajustada em 100 A e tensão de 56 V.

solda 12

 

13 – Com o calor dissipado e as fagulhas caindo sobre si, o pedaço de tecido também pega fogo.

solda 13

 

14 – Mesmo com a limitação em 100 A na saída do transformador do aparelho de solda, a corrente que estava circulando foi de 112,1 A, o que indica que o eletrodo poderia ser de seção menor.

solda 14

 

15 – A temperatura irradiada na chapa de aço até o sensor do termômetro (10 cm), atingiu a marca de 181,8 ºC.

solda 15

 

16 – Como houve a continuidade do calor e a queda de fagulhas incandescentes, mais o fogo iniciado no pano e no plástico, o papel, o papelão e a madeira também entram em combustão.

solda 16

 

17 – O fogo segue se alastrando. Se fosse um curto circuito no forro de uma casa de madeira, como de praxe costuma ocorrer, assim iniciaria o incêndio que, via de regra, consome toda a propriedade.

solda 17

 

18 – Sem combate ao princípio de incêndio, esse dissipa mais calor. Havendo comburente (ar) e abundância de combustíveis (madeira, papel, etc.) o fogo vai se alastrando rapidamente a ponto de tornar difícil o seu combate por pessoas sem treinamento ou equipamentos apropriados. Aqui reside o principal sucesso dos bombeiros; a rapidez com que chegam ao local do sinistro e os meios adequados para combatê-lo, já que especialização eles possuem.

solda 18

 

19 – Sempre que se efetuar solda elétrica em locais de risco, providências para combater o fogo devem ser tomadas previamente, nem que seja um simples regador cheio de água.

solda 19

 

20 – O fogo foi totalmente dominado, sem necessidade de rescaldo. Em uma residência, os danos seriam muito maiores e irreversíveis, na ausência de atitude rápida.

solda 20

 


Outro modo é o chamado de solda ponto, em que duas extremidades são unidas (normalmente chapas finas) e, nos lados opostos a essa união, são encostadas ponteiras metálicas e aplicada uma tensão elétrica momentânea (curto circuito).

Utensílios domésticos de inox são soldados dessa forma.
Mais um exemplo de grande aplicação e enormes valores (na ordem de 70 mil Ampères em 15 mil Volts) é a fundição em fornos de siderúrgica, onde os eletrodos são gigantescas barras de grafite (material condutor). Em uma grande siderúrgica (Charqueadas-RS), onde participei da instalação de um forno novo, cada uma das três barras de grafite (trifásico) media em torno de 2 a 3 m de comprimento com algo em torno de 30 cm de diâmetro.

 

O RISCO DE INCÊNDIO PROVOCADO POR CURTO-CIRCUITO

Cada material tem o seu ponto de ignição próprio, isto é, cada produto poderá pegar fogo, dependendo da temperatura a que está sendo submetido.

Alguns fatores contribuem para que o início do fogo seja abreviado ou protelado.

Se a temperatura ambiente estiver baixa (aqui no vídeo estava em 12,7 ºC) a combustão demorará mais para ocorrer.

Se, no entanto, o ambiente onde determinados materiais estiver com sua temperatura muito elevada (no caso do incêndio no escritório do MPF, era um dia de verão, com muito calor, e sob o forro a leitura no termômetro acusou 58 ºC), o início do fogo será acelerado.

Alguns materiais, como os inflamáveis (gasolina, thinner, álcool, gás) podem entrar em combustão com uma simples faísca e alastrar-se rapidamente, podendo causar explosões se o ambiente for confinado.

Produtos sintéticos como isopor, telhas transparentes ou espuma de colchões queimam-se facilmente e alastram o fogo rapidamente, gerando muito calor.

Papel, tecido, madeira e outros combustíveis, começam a queimar em momento distinto.

É necessário cuidar, portanto, que quando ocorrer um curto-circuito por qualquer motivo, esse seja imediatamente interrompido, gerando o mínimo de faíscas e calor.

E isso só é conseguido se forem instaladas proteções (disjuntores, fusíveis) adequadas, de funcionamento comprovado.

Durante minha experiência profissional, de quase 40 anos, eu presenciei muitas ocorrências de curto-circuito e fui instado a corrigir os seus efeitos em várias outras.

É por isso que decidi compartilhar esses conhecimentos através da demonstração prática, produzindo os vídeos, para que a visualização dos efeitos do curto-circuito (princípio de incêndio) e de sua efetiva interrupção (disjuntores confiáveis) sejam os fatores decisivos no momento de projetar, adquirir e instalar tais dispositivos de proteção.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Basicamente, o curto circuito ocorre quando houver falha ou ruptura na isolação (além do contato acidental ou proposital), causada por diversos fatores.
Animais como cães, ratos e até cavalos, costumam roer ou mastigar a isolação dos fios, provocando o seu rompimento, fugas de corrente (com a incidência de choques elétricos em paredes, eventualmente – nesse caso o dispositivo DR atua) e curto circuito, que podem provocar incêndios.

Algumas vezes encontramos animais mortos, no local de seu ataque aos condutores.

Alguns produtos químicos podem atacar a isolação dos fios.

A maresia corrói o cobre. A salinidade (pegajosa) pode acabar com a isolação dos fios.

Fontes externas de muito calor, como dentro de um forno ou churrasqueira, em contato ou próximo da isolação dos fios, (os mais comuns suportam até 70ºC), acabam destruindo essa isolação. Nesse caso usam-se fios com isolação especial (200 ou 300 ºC).

A isolação (normalmente PVC) contém aditivos que não deixam propagar a chama.

O incêndio provocado por curto circuito acontece se houver material combustível muito próximo de condutores de energia elétrica, mal protegidos, ou seja, com disjuntores ou fusíveis (que se fundem e interrompem a corrente elétrica quando o seu valor é ultrapassado) inadequados ou inexistentes.

Assista aos videos complementares sobre a atuação de disjuntores

565 – ELETRICIDADE – Verificando o efeito térmico do disjuntor – Parte 01 de 03  

video 565

 

566 – ELETRICIDADE – Características técnicas do disjuntor – Parte 02 de 03  

video 566

567 – ELETRICIDADE – Desarme por curto-circuito – Efeito magnético do disjuntor – Parte 03 de 03

video 567  

Com Eletricidade não se brinca, a não ser que seja com vídeo game.

 

AUTOR

 

 

 

 

 

Recebi e-mail de Richard, com o seguinte questionamento:

Boa noite Sr. Zergui,
meu nome é Richard e atuo na área de elétrica e sou
formado como técnico em Automação Industrial

Eu estou trabalhando em uma empresa como eletricista e
fui designado agora a dar manutenção em esmerilhadeiras e em
máquinas de solda e quero aprender mais e mais sobre esse assunto
porque cá entre nós hoje em dia você tem que estar por dentro de tudo…

Eu estou procurando um manual técnico aqueles que ensinam a dar manutenção tanto elétrica quanto mecânica em maquina de solda ou esmerilhadeiras…

Tipo quando ocorre um problema consulto o manual e vejo a solução…

Resposta:

Olá Sr. Richard.

Desculpe, vou chamá-lo de você e gostaria que se sentisse à vontade para expressar-se dessa forma.

Grato por sua visita e por suas palavras.

Estimulam a árdua, porém gratificante tarefa de contentar aos visitantes do espaço virtual.

Quanto ao assunto em pauta, vou tentar auxiliá-lo, dentro de minhas possibilidades, sem que isso signifique esgotar os recursos que você terá disponíveis, desde que os busque, como foi agora sua iniciativa:

Material de pesquisa.

Apenas para eventualmente entrar em contato com o fabricante, conhecer alguns procedimentos de segurança industrial e processos de soldagem.

- Esab

- Bambozzi

- Bosch

Planejamento

Acredito que, com sua formação técnica, seus conhecimentos tenham sido direcionados para outra especialidade.

Entretanto, você deve ter aprendido a desenvolver o raciocínio lógico na busca de soluções técnicas; e em nível muito superior do que o exigido na manutenção das máquinas agora sob sua responsabilidade.

O manual técnico normalmente acompanha o equipamento, oferecendo os cuidados básicos que são requeridos, bem como a operacionalidade.

Verifique se sua empresa mantém tal literatura devidamente arquivada, como é de praxe.

Caso não tenha, visite os links sugeridos acima e os de cada fabricante dos equipamentos que estão em uso na empresa.

Organize um catálogo, mesmo que seja virtual, por modelo e marca de equipamento, preferencialmente com a nomenclatura de suas peças de reposição.

Algumas empresas oferecem uma vista explodida de cada produto, o que facilita muito a identificação dos componentes e até eventual montagem.

Procure catalogar quais as peças mais suscetíveis de exigirem reposição por uso continuado (escovas de carvão, rolamentos, plugues, chaves e interruptores, etc.), procurando registrar a referência comercial de cada uma, de forma a conseguir reposição mais facilmente.

O estoque de algumas peças é recomendado, principalmente as de baixo custo como as escovas de carvão e seus suportes.

Efetue o levantamento da instrumentação e do ferramental necessários para executar a manutenção e os deixe sempre em perfeitas condições de utilização.

São apenas algumas sugestões.

Sua criatividade, agregada ao auxílio de eventuais colegas da empresa e de uma metódica organização, lhe auxiliarão a desempenhar adequadamente as exigências da empresa e lhe incutirão um modo de trabalhar que sempre poderá ser bem valorizado e útil para o futuro.

Problemas comuns das máquinas.

- Máquinas de solda estáticas

- Falha na isolação do enrolamento de cobre. Requer uma limpeza constante, principalmente se houver suspensão de poeiras metálicas ou de produtos corrosivos ou líquidos (metalúrgicas, siderúrgicas, fábrica de produtos químicos, plantas petroquímicas). Procure sempre renovar a isolação com verniz isolante ou gliptal se for muito úmido. Preferindo produtos de boa qualidade.

- Cabos de alimentação da máquina ou de saída para o aterramento e eletrodo devem estar em excelente estado de conservação de sua isolação. O porta eletrodo e a garra de conexão do aterramento precisam estar com sua fixação e pontos de contato em bom estado. Molas firmes e contatos com total área de contato (se estiver carcomido por ponteamentos de solda o melhor é substituir).

- Nas máquinas menores, em que o cabo do eletrodo é de posição cambiável, pode ser colocada vaselina em pasta, para facilitar a inserção no contato fêmea.

- Os cabos de alimentação do aparelho, bem como os de saída da máquina (eletrodo e terra) jamais podem ser mantidos enrolados. Repetindo. Os cabos devem ser totalmente desenrolados, em toda sua extensão, para evitar o surgimento de um campo eletromagnético (principio de funcionamento de uma bobina) que irá provocar o incremento de corrente e provável dano ao enrolamento, sobre-corrente na chave de acionamento e ruptura de fusíveis de proteção ou desarme de disjuntor.

- Eletro geradores de solda

- Repita as ações acima e acrescente a manutenção em escovas de carvão, rolamentos ou embuchamentos.

Em qualquer situação devem ser observados os fatores predominantes: limpeza, mau contato e estado da isolação e dos cabos e plugues.

- Solda ponto

- Problemas na isolação do enrolamento. Repita procedimentos acima.

- Mau contato

- Cabos de alimentação interrompidos (quebrados)

- Aparelhos de solda Mig e Tig

- O acionador do fio de solda costuma falhar. Verifique a lubrificação de partes móveis

- Confira sempre se há um bom aterramento para todas as máquinas, principalmente a Tig (saiba mais)

- Esmerilhadeiras

- Limpeza interna (e externa se for o caso).

- Escovas de carvão e suportes.

- Induzido ou campo queimado.

- Interruptores com mau contato (se trabalhar em ambiente de muita poeira)

- Quedas

- Cabo elétrico quebrado na entrada da máquina, causado por movimentação repetida ou porque o operador transporta a máquina pelo cabo e não pelo punho de acionamento ou de apoio. Isso é comum.

- Cabo quebrado junto ao plugue de alimentação.

- Lubrificação insuficiente nas partes mecânicas.

- Rolamentos ou embuchamentos danificados.

- Ação de produtos químicos

- Ligação em tensão inadequada.

Não citei a manutenção em componentes eletrônicos, que você deve ter conhecimentos superiores aos meus, que tenho especialização em eletrotécnica.

Como não é uma área em que domino completamente, eu me eximo de opinar ou comentar.

Esse não é um guia rápido de reparação, nem uma “fórmula mágica”, permita-me brincar um pouco, para resolver qualquer problema.

Todos as dificuldades que surgirem devem ser analisadas criteriosamente, com calma e de forma organizada.

Um plano de manutenção preventiva poderá auxiliá-lo a assimilar muitos conhecimentos necessários para eventual intervenção de emergência.

Procure contatar com todos os fabricantes dos equipamentos sob sua guarda, solicitando-lhes material informativo e o endereço de fornecedores de peças de reposição mais próximos de sua empresa.

Reiterando que o assunto não se esgota nessas simples linhas, espero ter contribuído para clarear um pouco a missão que lhe foi incumbida.

Sucesso!

Zergui

AUTOR

 

Se você quiser se referir ao comprimento, à distância, à altura ou à largura, você usará as seguintes medidas: centímetro (cm); quilômetro (km), metro (m) ou milímetro (mm). A unidade de medida é o metro.

As variáveis são múltiplos e submúltiplos. Em eletricidade há várias unidades de medida, para que mensuremos a grandeza de cada fenômeno.

Conheça alguns:

 

Para se reconhecer ou para se expressar determinada característica quantitativa, precisamos saber o nome que se arbitrou a cada fenômeno.

Quando falamos em comprimento, logo nos lembramos de sua unidade de medida que é o metro, ou em algum de seus múltiplos (km) ou submúltiplos (mm).

Em eletricidade também ocorre essa necessidade de identificação, das diversas situações que com ela ocorre.

Essas ocorrências são inúmeras, porém, devido à simplicidade do curso presente, somente mencionar-se-ão as mais comuns aos objetivos do curso.

GRANDEZAS E SUAS UNIDADES:

01 – A unidade de intensidade de corrente é o Ampère (A).

Ela é representada pela letra I (Intensidade de corrente).

O ampère equivale a uma corrente elétrica de 6,28 x 10 (x18) elétrons por segundo.

Num sistema hidráulico esta unidade equivaleria ao número de litros de água por segundo que flui pelo cano.

02 – A tensão elétrica (representada por U ou E), a força eletromotriz (f.e.m.) e a diferença de potencial (d.d.p.) têm como unidade o Volt (V).

O Volt é definido como a pressão elétrica que é necessária para forçar uma corrente de um Ampère de intensidade, por um circuito cuja resistência é de um Ohm.

03 – A resistência elétrica (representada pela letra R), tem como unidade o Ohm ( ), e é definida como a oposição que uma coluna de Mercúrio, de diâmetro constante, com uma altura de 106,3 cm, a 0º C, e de peso total de 14,4521 gramas oferece à passagem de uma corrente elétrica.

A resistência que os metais apresentam é devida à fricção dos elétrons em movimento com os elétrons da órbitas exteriores dos átomos.

Num sistema hidráulico, a resistência equivaleria à fricção de água contra as paredes do cano.

O exposto acima se refere apenas a circuitos puramente resistivos.

No presente curso desconsiderar-se-á a resistência em circuitos indutivos (indutância), indutivos e resistivos (impedância) e em circuitos capacitivos (reatância capacitiva).

04 – A potência elétrica (representada pela letra P), para circuitos resistivos, tem como unidade o Watt (W), e equivale a um Joule (J) por segundo.

05 – A energia elétrica (representada pela letra E), nos mostra o consumo de determinada carga com sua potência, pelo espaço de tempo de uma hora. Sua unidade é o Watt hora (Wh).

06 – A freqüência tem como unidade o Hertz (Hz).

É a quantidade de fenômenos periódicos que ocorrem no espaço de tempo de 1 segundo.

07 – A energia necessária para deslocar o ponto de aplicação de uma força constante e igual a 1 Newton, numa distância igual a 1 metro na sua direção. Sua unidade é o Joule (J) sendo que nessa mesma unidade se medem também o trabalho e a quantidade de calor.

08 – A força que imprime a um corpo de massa igual a 1 quilograma uma aceleração igual a 1 metro por segundo em cada segundo, na direção da força, tem como unidade o Newton (N).

09 – A quantidade de eletricidade que atravessa durante 1 segundo, uma seção transversal qualquer de um condutor percorrido por uma corrente de intensidade invariável e igual a 1 ampère, tem como unidade o Coulomb (C).

10 – A capacitância de um elemento passivo de circuito, entre cujos terminais se manifesta uma tensão constante e igual a 1 Volt, quando carregado com uma quantidade de eletricidade invariável e igual a 1 coulomb, tem como unidade o Farad (F).

11 – A Indutância de um elemento passivo de circuito, entre cujos terminais se induz uma tensão elétrica constante e igual a 1 Volt, quando percorrido por uma corrente cuja intensidade varia uniformemente à razão de 1 ampère em cada segundo. Sua unidade é o Henry (H).

Mensagem!

Com esse capítulo está encerrada essa etapa no aprendizado de Eletricidade.

 

Foram oferecidas apenas simples e rápidas noções de conceitos dos mais elementares.

 

O estudo da Eletricidade, no entanto, é muito vasto e deslumbrante.

 

No seguimento, eu apresentarei algumas das aplicações de cálculos mais comuns, como por exemplo, qual a bitola do condutor que deverá ser utilizado para ligar determinado aparelho, ou quanto custa manter ligado o chuveiro por determinado tempo, todos os dias, durante um mês.

 

São cálculos simples, fáceis, requerendo apenas um pouco de atenção e organização.

 

E nessa organização é importante que se tenha assimilado cada conteúdo, a fim de saber o que estará sendo calculado.

 

Outras informações básicas, mas que acompanharão o profissional durante toda a sua vida, serão as orientações para interpretar corretamente os tipos de circuito elétrico.

 

Muitas informações serão disponibilizadas aqui no blog, intercaladas com imagens e descrição de atividades que desempenhei ao longo de minha carreira profissional.

 

A meta final pretendida é explicar detalhadamente o funcionamento de uma chave estrela – triangulo.

 

Também pretendo produzir vídeos extremamente simples, usando muita analogia, para que o leigo consiga assimilar facilmente o conteúdo.

 

Tenho certeza que muitos estudantes, das diversas áreas de Eletricidade, também aproveitarão o que será apresentado.

 

O blog está disponível para todos.

 

Não bloqueei a cópia, portanto, tanto as imagens como os textos e vídeos podem ser compartilhados.

 

Por enquanto não incidirão restrições sobre os direitos autorais, ainda que aproximadamente 95% do conteúdo do blog serão de minha elaboração.

 

Eventuais reproduções, no entanto, por uma questão de ética e respeito devem receber a indicação da fonte.

 

A interatividade permanece à disposição.

 

As perguntas pertinentes, feitas de maneira clara e objetiva, serão respondidas e publicadas na medida do possível.

 

Entretanto, eu não tenho como atender projetos, trabalhos escolares, cálculos de demanda, dimensionamento de quadro de cargas, etc.

 

Espero que você, caro visitante, usufrua desse gesto de cidadania que ofereço.

 

Aproveite o máximo possível, pois o maior beneficiado será você!

Um abraço

Zergui Pfleger

 

AUTOR

 

A eletricidade pode ser produzida artificialmente de duas maneiras populares (que são largamente utilizadas):

- Por ação química, através de pilhas e baterias, quando a corrente é chamada de “contínua”.

- Por ação do magnetismo, através de geradores movidos por várias fontes de energia que produzem movimento, quando é chamada de “alternada”.

Baterias de carro, celular, pilhas do rádio – corrente contínua.

Energia elétrica predial – corrente alternada. 

Ao estudarmos a corrente elétrica, vimos ser ela constituída por uma movimentação ordenada de cargas elétricas.

Por movimento ordenado devemos entender que, se considerarmos determinado instante, nesse momento todas as cargas devem estar se movendo no mesmo sentido.

Com isso também damos a entender que, para termos uma corrente elétrica, as cargas não precisam estar sempre se movendo na mesma direção e sentido.

Este tipo de corrente, cujo sentido de circulação é sempre o mesmo, ou seja, em que o fluxo de cargas tem apenas uma orientação, é denominado corrente contínua, ou abreviadamente CC (em inglês Direct Current DC).

As correntes que podemos obter de pilhas, acumuladores e dínamos são correntes contínuas, pois estes são geradores que forçam a circulação da corrente que geram, sempre num mesmo sentido.

Existe, porém, outro tipo de corrente que é aquela em que a movimentação das cargas não se faz sempre no mesmo sentido.

Podemos, por exemplo, ter um tipo de gerador que não estabelece uma diferença de potencial constante num circuito, de modo que a corrente que circulará poderá inicialmente crescer de intensidade até um determinado valor, para em seguida cair de intensidade até chegar a zero, quando então inverterá seu sentido de circulação, aumentando novamente de intensidade, porém no sentido inverso.

Em seguida novamente diminuirá de intensidade até inverter outra vez seu sentido de circulação, tudo isso num ciclo contínuo de muitas vezes por segundo.

Esse tipo de corrente é denominada corrente alternada, sendo abreviada por CA (em inglês Alternating Current AC).

Os geradores que num circuito estabelecem uma diferença de potencial que se alterna, recebem o nome de alternadores.

A rede de alimentação domiciliar consiste num exemplo de gerador, de onde podemos obter correntes alternadas.

Os polos da tomada manifestam um potencial tal que se invertem cerca de 60 vezes em cada segundo, de modo que, em cada segundo, um dos pólos apresenta 60 vezes um potencial mais elevado que o outro e, também 60 vezes em cada segundo, o outro pólo apresenta um potencial mais elevado que o primeiro.

Isto significa que, quando ligamos uma lâmpada a essa tomada, a corrente que circulará por seu filamento será forçada a fazê-lo, em cada segundo, cerca de 60 vezes num sentido e 60 vezes no outro.

Assim, os elétrons livres existentes em toda extensão do condutor não se movem propriamente através do circuito, mas se agitam para frente e para trás, cerca de 60 vezes por segundo.

A lâmpada, apesar disso, acende, mesmo não havendo propriamente uma circulação de corrente no sentido real da palavra, porque a agitação dos elétrons no filamento da lâmpada implica numa transferência de energia sob a forma de luz e calor.

Deve-se ter em mente que, mesmo não havendo um fluxo constante de elétrons, no caso de uma corrente alternada, os efeitos obtidos podem, em geral ser os mesmos que teríamos com uma corrente contínua.

Para o caso específico de nossa rede de alimentação, obtemos nas tomadas correntes alternadas que invertem seu sentido de circulação cerca de 60 vezes em cada segundo.

Isto significa que a corrente alternada obtida na rede de alimentação tem uma frequência de 60 Hz.